Tradução do Comentário de João Calvino
Jeremias 18: 1-6;
Português
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Latim
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Inglês
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1 A palavra que veio do Senhor a
Jeremias, dizendo:
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1
verbum quod factum est ad Hieremiam a Domino dicens
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1 The word
which came to Jeremiah from the LORD, saying,
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2 Levanta-te, e desce à casa do
oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras.
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2 surge et descende in domum figuli
et ibi audies verba mea
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2 Arise, and
go down to the potter's house, and there I will cause thee to hear my words.
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3 Desci, pois, à casa do oleiro,
e eis que ele estava ocupado com a sua obra sobre as rodas.
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3 et descendi in domum figuli et
ecce ipse faciebat opus super rotam
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3 Then I went
down to the potter's house, and, behold, he wrought a work on the wheels.
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4 Como o vaso, que ele fazia de
barro, se estragou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme
pareceu bem aos seus olhos fazer.
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4 et dissipatum est vas quod ipse
faciebat e luto manibus suis conversusque fecit illud vas alterum sicut
placuerat in oculis eius ut faceret
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4 And the
vessel that he made of clay was marred in the hand of the potter: so he made
it again another vessel, as seemed good to the potter to make it.
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5 Então veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
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5 et factum est verbum Domini ad me
dicens
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5 Then the
word of the LORD came to me, saying,
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6 Não poderei eu fazer de vós
como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, como o barro
na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.
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6
numquid sicut figulus iste non potero facere vobis domus Israhel ait
Dominus ecce sicut lutum in manu figuli sic vos in manu mea domus Israhel
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6 O house of
Israel, cannot I do with you as this potter? saith the LORD. Behold, as the
clay is in the potter's hand, so are ye in mine hand, O house of Israel.
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O
que está sendo ensinado aqui, em resumo, é que enquanto os judeus se gloriavam
no favor singular de Deus, que havia sido conferido a eles para um propósito
diferente, ainda que isso fosse sua herança sagrada, era necessário que esse
tipo de segurança fosse tirado deles; em razão de que ao mesmo tempo, eles são
imprudentemente descuidados com relação a Deus e suas leis. Na verdade, nós
sabemos que na aliança de Deus havia uma estipulação mútua – a descendência de
Abraão iria fielmente servir a Deus, enquanto Deus prepararia para fazer o que ele
havia prometido, pois esta era a lei perpétua da aliança.
“Anda em minha presença, e sê perfeito”
O
qual foi imposto a Abraão para todo o sempre e para a extensão de sua
posteridade (Genesis 17:1). Mas como os Judeus haviam pensado que Deus estava
ligado a eles por um pacto inviolável, enquanto eles orgulhosamente rejeitavam
a todos os seus profetas, poluíam e tanto quanto podiam, aboliam, a verdadeira
segurança na benevolência de Deus, era então necessário lhes tirar de sua tola
vanglória pelo qual se iludiam. Então o profeta foi ordenado que fosse à casa
do oleiro, e que deveria revelar ao povo o que tinha visto ali, até mesmo que o
oleiro, de acordo com sua própria vontade e agrado faz e refaz os vasos.
A
primeira vista, de fato, parece uma forma simplória de falar; mas se
examinarmos a nós mesmos, vamos todos encontrar esse orgulho, inato a nós, que não
pode ser corrigido a não ser que o Senhor nos atraia como que por força para
nos fazer enxergar isto claramente, exceto que ele nos mostre abertamente o que
somos. O profeta pode ter atendido à voz de Deus em sua própria casa, mas ele
foi ordenado a seguir até a casa do oleiro – entretanto, não para seu próprio
bem, pois ele estava ansioso para ser ensinado – mas para que ele pudesse
ensinar ao povo, adicionando esse sinal como uma confirmação de sua doutrina.
Então relata aquilo que lhe havia sido
ordenado, quando desceu à casa do oleiro e faz a narração do que viu lá – enquanto
o oleiro formava o vaso, esse se desmanchou e então outro vaso foi feito desse
mesmo barro e ao que parece, um com uma forma diferente, porque há uma ênfase
particular nessas palavras “conforme pareceu bem aos seus olhos fazer”. A aplicação
é em seguida adicionada – Não poderei eu
fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? Como o barro na mão do
oleiro, assim sois vós na minha mão; isto é, eu não tenho menos poder sobre
vocês do que o oleiro tem sobre o seu trabalho e sobre os vasos de barro.
Nós
agora vemos o que contém essa doutrina – que os homens são muito tolos quando
se orgulham da sua atual condição de prosperidade e agem como se essa condição
consistisse em uma segurança fixa; em um único momento Deus pode humilhar aqueles
que ele levantou, bem como levantar aquele que ele havia anteriormente levado
ao chão. Isso é bem reconhecido pelos gentios, a qual a moderação é elogiada
por eles, eles descrevem assim – “ninguém deve ficar cheio de orgulho na
prosperidade e nem sucumbir na adversidade.”. Mas ninguém é realmente
influenciado por esse pensamento, exceto aquele que entende que somos
governados pela mão de Deus: porque aqueles que sonham que a fortuna comanda o
mundo, constrói sua própria sabedoria, riqueza e fortaleza. Devem então,
fatalmente, iludirem a si mesmos com certas vãs esperanças ou de alguma outra
forma. Até lá, os homens são levados a entender que eles estão sujeitos ao
poder de Deus e que sua condição pode em um simples momento ser mudada, de
acordo com sua vontade, eles nunca serão humildes como deveriam ser. Essa
doutrina, no entanto, foi intitulada como uma notícia especial, principalmente
quando nós consideramos quão tolamente os judeus haviam abusado de seu
privilégio pelo qual Deus havia favorecido a Abraão e toda a sua posteridade;
essa foi, então, uma admoestação completamente necessária. Além disso, se
olharmos para nós mesmos, iremos
perceber que é necessário um grande esforço para aprendermos a nos humilhar,
como Pedro nos lembra, sob a poderosa mão de Deus. (1Pedro 5:6)
Com
relação às palavras, devemos dizer que eabenim,
é uma palavra com flexão tanto para plural quanto singular. O profeta, sem
dúvidas pretendia utilizar os moldes, des
moules; pois aqueles que interpretam “em torno” parecem não entender a
questão. O profeta evidentemente se refere aos moldes feitos de pedras, madeiras
ou de argilas branca. E isso o número gramatical prova suficientemente. Ele
então depois vê o oleiro com seus moldes avec
sés moules, de modo que quando ele forma um vaso, desfaz o outro; Em
seguida ele pegou o mesmo barro e fez outro vaso e isto de acordo com sua
própria vontade. Eu já afirmei porque era necessário que o profeta fosse à casa
do oleiro: ele fez isso para que em seguida pudesse levar os Judeus a ver sua
própria situação de maneira mais vívida; porque nós sabemos quão poderoso efeito
provoca uma representação dessa espécie, quando uma cena como essa é posta
diante dos nossos olhos. A doutrina pura teria sido indiferente para um homem indolente
e descuidado; mas quando um símbolo foi adicionado, ela teve um efeito
excelente. Esta é, então, a razão pela qual Deus ordenou ao profeta que fosse
observar o que o oleiro fazia.
Agora,
na aplicação, devemos observar como as coisas se relacionam; como a argila está
sob a vontade e poder do oleiro assim também estão os homens frente à vontade
de Deus: Deus então é comparado com o oleiro. Não existe, no entanto uma
comparação entre coisas que sejam iguais, mas o profeta argumenta das coisas
menores para as maiores. Então Deus, em relação aos homens, é dito como sendo o
oleiro, já que nós somos a argila diante dele. Nós devemos notar também a
variação da coisa formada: da mesma argila um vaso é feito e depois, um
diferente do primeiro. Essas três coisas comparadas devem ser observadas de
forma especial. Em seguida, é dito “não
posso eu, como o oleiro, fazer com você oh casa de Israel?” Deus inclui
aqui duas dessas comparações, ele compara a si mesmo com o oleiro e o povo à
argila. E muito maior é a autoridade que tem Deus sobre os homens que a do
oleiro sobre a argila. Mas a comparação, como eu disse, é acerca do maior para
o menor, como se ele tivesse dito “o oleiro pode formar a argila, conforme a
sua vontade, sou eu inferior a ele? Ou não é o meu poder, ao menos igual ao do
artífice que é mortal e de condição desprezível?” Depois ele adiciona, com você, ou para você, oh casa de Israel? Sendo que ele disse
“confie vocês em suas próprias excelências como quiserem, ainda assim, vocês
não são melhores do que a argila, quando vocês consideram o que eu sou e o que
posso fazer com vocês.”.
Nós
vimos então agora duas das comparações; a terceira segue – que Deus pode nos
moldar aqui e ali e mudar conforme a sua vontade. Então, quão grande tolice é
para o homem confiar na sua atual boa fortuna; sendo que em um segundo sua
condição pode ser mudada, porque não há nada dado por certo nesta terra.
Mas
nós devemos ter em mente o que eu já havia dito – que vã era a confiança com a
qual os judeus se iludiam; pensavam estar Deus preso a eles e então prometeram
a si mesmos um estado de perpetuidade, enquanto poderiam com impunidade ignorar
toda a lei, eles sempre se vangloriaram de que o pacto, pelo qual Deus havia
adotado a descendência de Abraão, era hereditário. Nessas circunstâncias, o
profeta mostrou que a aliança era de tal forma hereditária, que apesar dos
judeus terem todo o dever de ver como um benefício fortuito, como se dissesse “o
que Deus deu a vocês, ele pode tomar de volta a qualquer momento, não existindo
nada certo para vocês, exceto até onde Deus será propício a vocês.”. Em resumo,
ele lembra ao povo que sua segurança dependia do plano gratuito de Deus, como
quem diz “vocês não têm nada de si mesmos, mas o que Deus concedeu a vocês é de
sua vontade e prazer, ele pode hoje lhes tirar o que concedeu ontem. O que
significa então esse tolo regozijo, quando vocês dizem que estão isentos da
sorte dos homens comuns?”
Os
judeus poderiam, de fato, com razão, desconsiderar todos os perigos do mundo,
pois Deus havia reunido-lhes sob sua própria proteção; eles teriam estado
assim, seguros, debaixo de sua proteção, se tivessem tido uma fidelidade
recíproca, de modo a ser realmente o seu povo como ele havia prometido ser o
Deus deles, invalidando a aliança sobre a qual eles tiveram por nada toda a sua
lei, mas eles honraram como se fosse nada toda a lei de Deus, e invalidaram o
pacto no qual tolamente se vangloriavam; o Profeta como podemos ver, não sem
razão, abala com essa confiança pela qual eles enganavam a si mesmos.
Nós devemos,
portanto reunir uma doutrina prática: Com relação a todo o resto da raça
humana, não há nada certo ou permanente em suas vidas; porque Deus pode mudar a
nossa condição a qualquer momento, de modo a rebaixar o rico ou o nobre de sua
exaltação, bem como para erguir o mais desprezado dos homens, de acordo com o
que é dito no Salmo 113:7. E nós sabemos que isso é verdade, não somente como
indivíduos, mas como nações e reinos. Muitos reis aumentaram seu poder a ponto
de verem a si mesmos como fora do alcance da calamidade; e ainda assim temos
visto que Deus os levou prostrados como que por um redemoinho de vendo súbito:
e isto também aconteceu com nações poderosas. Com relação então à condição da
humanidade, Deus mostra aqui como em um espelho, ou através de um vívido
espetáculo, que mudanças súbitas estão frequentemente no mundo: o que deve nos
acordar de nosso torpor, de forma que nenhum de nós ouse prometer a si mesmo um
outro dia, ou até mesmo uma outra hora, ou outro momento. Tudo significa o
mesmo; mas essa doutrina tem uma aplicação peculiar para nós; pois que Deus por
meio de um favor peculiar nos separou do resto do mundo para que nós pudéssemos
depender totalmente de sua genuína boa vontade. A fé, na verdade deveria ser tranquila,
ou melhor, deveria desconsiderar qualquer coisa que pudesse nos trazer algum
terror ou ansiedade; mas fé, onde está o seu lugar? No céu. Então coragem é
necessária a todos os filhos de Deus, para que eles possam com uma mente
sossegada, desprezar todas as mudanças do mundo. Mas nós
devemos ver que a tranquilidade da fé deve estar bem fundamentada, ou seja,
na humildade. Portanto enquanto nos ancoramos no céu, e também com relação a
nós mesmo, nós devemos sempre nos resignar e sermos humildes. Qualquer um então
que se equilibra em uma vã confiança se gloria em uma fé vã, e falsamente
aparenta que ele tem sua fé em Deus. Deixe então que venha sempre em nossas
mentes, e que constantemente nos ocorra, que nosso estado não é certo e seguro
em nós mesmos, e sim na bondade gratuita de Deus.
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Tradução feira por: Hannah Belle - #GringaNaParaíba
Natália Oliveira - #MissionáriaRevoltada
Colaboração: André Soares - #MatusalémVive